29.10.12

[Texto de segunda] Encontro - Amanda Pereira

Assim que eu entrei, logo bati os olhos nele e senti algo diferente. Algo que me impediu de virar o rosto e me fez olhá-lo mais detalhadamente. Ele era bonito. Não, bonito não, ela era lindo. Era como se, de repente, toda a luz do ambiente estivesse sobre ele, fazendo-o se destacar entre os demais.
Antes que me desse conta, me vi caminhando na direção dele. Minhas mãos suavam, meu coração batia acelerado, eu só pensava em tê-lo para mim, eu o queria o quanto antes, eu precisava desesperadamente dele.
Então, num surto de consciência eu parei. Eu não podia me aproximar mais, porque eu não podia tê-lo. Estava proibida e se desse mais algum passo, sabia que não conseguiria resistir a tentação. Afinal, quem conseguiria?
E com uma força vinda de um lugar desconhecido do meu corpo, virei as costas e me encaminhei para a porta. Cada passo era como um golpe e eu sentia por ter que deixá-lo para trás. Meus Deus, o que era isso se formando em meus olhos, lágrimas?
Para ter um último vislumbre do meu amado, olhei-o da porta e naquele instante percebi o que deveria ter percebido desde o início. Ele também me queria, estava mais que claro e eu não poderia ir embora sem ele.
Abri a bolsa em busca de uma solução e constatei que realmente não tinha dinheiro. Afinal, minha mãe estava controlando meus gatos. Mas eu sabia que tinha algo que poderia me salvar, que poderia nos salvar, e foi com imensa alegria que encontrei um dos meu cartões que ainda tinha saldo.
Corri para a prateleira, peguei o livro e o agarrei com força, como se algo ou alguém que, assim como eu, tivesse percebido que ele era perfeito pudesse tirá-lo de mim. Olhei com mais atenção sua capa e todos os sentimentos voltaram. Ele realmente era incrível como eu tinha notado assim que entrei na livraria. Virei-o, temendo que a sinopse não fosse tão boa quanto a capa, mas para minha alegria, ela também era incrível.
Encaminhei-me para o caixa com um sorriso no rosto e uma felicidade indescritível certa de que, por aquele livro, valia receber uma bronca da minha mãe.

Um Feliz dia nacional do livro a todos nós, apaixonados por literatura, que não conseguimos resistir a um bom livro quando o encontramos!